segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Explicação Rpgística: Mob Connections


O nosferatu Nigel sabia que essa era sua última chance de eliminar seu alvo. Duas tentativas frustradas o fizeram odiar ainda mais a pequena toreadora. Seus contatos afirmavam que ela era uma espiã realizando um reconhecimento de área. Eles também afirmavam que ela era inexperiente. E isso o deixava ainda mais puto.

- Essa putinha não pode escapar, vocês estão entendendo?
- Calma aí monstrão... das outras duas vezes você não estava com os Bonnano te ajudando.
- Espero que valha a pena me juntar com pústulas como vocês.
- Opa, opa, monstrengo. Nós é que precisamos saber se vai valer a pena arriscar os nossos rabos pra ajudar sua organização.
- Já disse que isso não será tratado por telefone. Me encontro com você depois de tudo terminado.
- Ok então. Agora vamos desligar esse telefone porque não estamos ao seu dispor a noite toda.

Nigel desligou sem responder. Era uma vergonha ter que apelar para suas conexões com a máfia, e o pior era ficar “devendo favores”. Mas isso iria valer a pena. Sua reputação e sua “pele” seriam salvas hoje.

MarianaGilbert andava pelas ruas de Buffalo com uma sensação dividida. Por um lado estava bem contente com sua missão até agora. Mapeando a atividade sabbat na cidade outrora controlada pela Camarilla. Ela recebera essa missão após 3 anos de “trabalho de escritório”. “Até que enfim sinto o vento no rosto.” Mas por outro lado, havia angustia em seu pequeno esboço de sorriso. Após 2 semanas de missão ela foi descoberta e atacada. Por duas vezes conseguira se livrar por pouco, graças aos auspícios que começara a desenvolver pouco antes de ir a campo. Era seu último dia na cidade e não poderia sair sem antes visitar o atelier do novo nome da pintura local. Apenas uma visita rápida, uma taça de vinho e uns 2 ou 3 quadros comprados. Não iria atrapalhar em nada...  

O plano de Nigel fora bem esquematizado. A pobre toreadora estava em maus lençóis, visto que a área era toda conhecida pelo nosferatu. Caminhando por cima das marquises sem ser notado com o auxílio de sua ofuscação, ele esperou que sua presa entrasse na Green Park Street e deu início ao bote. Avaliou toda a extensão da via até um ponto específico, importante em seu plano. Pousando levemente por trás dela, tendo como ajuda a pouca experiência da novata ele não resistiu e fez um comentário com base na cor da capa que Mariana usava:

- Não tem medo do lobo mau, chapeuzinho?

Disse isso já partindo pra cima dela com um soco diretamente no ouvido esquerdo. A toreadora foi atingida em cheio e perdeu parte dos sentidos ao se chocar com uma parede de tijolos. Logo depois veio uma joelhada no abdome que a fez cair. Nigel chegou a crer que não precisaria nem de seus contatos quando viu Mariana estatelada no chão. Porém quando pensou, improvisando, em como poria fim naquilo tudo, num piscar de olhos ela sumiu. Ele levantou o olhar com a boca levemente aberta e alcançou a figura vermelha de Mariana fugindo uns 20 metros a sua frente. “Dessa vez não, vagabunda...”

Mariana usara sua rapidez para escapar de um fim certo, porém não poderia dispor muito tempo mais de sua disciplina. Estava bem ferida e desorientada e seus sapatos já tinham ficado para trás. Talvez pela confusão do soco no crânio ela esquecera momentaneamente do mapa das ruas e se viu desesperada. Sentiu algo escorrer e, pondo a mão em sua orelha, atestou que era sangue saindo de seu ouvido. “Calma garota... você já fugiu desse merda duas vezes. Basta se lembrar do treinamento...”

Olhou para trás e viu que o seu perseguidor havia encurtado a distância em 10 metros. Podia ouvir as botas do nosferatu espatifando as poças de água da chuva. “Vamos lá... vamos lá... as próximas duas ruas são sem saída... MERDA! Pensa Mariana, pensa! Sim! Claro, merda... a Travessa Monroe. Ela leva até o outro lado do quarteirão. Se eu conseguir disparar só mais uma vez eu chego até o meio da travessa sem contato visual com ele e depois consigo escapar pela entrada do metrô na Cambridge Avenue.”

Mariana apertou o passo e utilizou seus últimos recursos para utilizar sua rapidez uma última vez. Sem saber, fez exatamente o que Nigel previa. Enquanto ela se distanciava com sua velocidade anormal Nigel pegou o telefone e apertou o redial. Esperou 2 segundos e desligou. Era o sinal que Alberto e seus capangas precisavam. Continuou correndo e perseguindo sua vítima.

A toreadora se sentiu quase aliviada quando, na metade da travessa pode ver as luzes da via principal no final do caminho. Olhou pra trás e não viu Nigel. Estava exausta e ferida, porém se chegasse até a Cambridge Avenue conseguiria despistar o nosferatu. “Vou escapar dessa... TENHO que concluir a missão...” Seus pés já descalços eram talhados pelo chão de paralelepípedos mas ela focava seu olhar nas luzes no fim da travessa. Olhando uma última vez para traz ela viu Nigel aparecendo calmamente no início do caminho, sem correr. Não entendeu a tranquilidade de seu perseguidor. Por um segundo ela pensou identificar um leve sorriso no canto da boca deformada dele. Um calafrio percorreu seu corpo quando percebeu que as luzes que vinham da Cambridge Avenue haviam sido obstruídas por alguma coisa grande...

Enquanto voltava seus olhos novamente para frente viu um furgão azul marinho parado, obstruindo a passagem. Seu semblante era uma mistura de cansaço e derrota e, enquanto a porta do furgão deslizava, ela entendeu que não tinha mais o que ser feito.

Deu mais três passos largos meio que em câmera lenta e seu rosto, outrora mesclado à sombra da viela, agora era iluminado por 4 canos de sub-metralhadoras que cuspiam chumbo fervendo. Enquanto seu corpo chacoalhava pelas saraivadas, pensou em seus superiores, pensou em como se sentiu feliz ao ser escolhida finalmente para sua primeira missão de campo. E pensou no momento de seu abraço sombrio e como foi difícil se adaptar a seu estado de “aberração”. “Terá sido tudo um sonho?” As metralhadoras cessaram e primeiramente a vampira caiu de joelhos na poça de seu próprio sangue e depois tombou para frente já praticamente inerte. Ainda conseguiu identificar os passos do nosferatu em um trote rápido se aproximando dela.

Nigel não queria demonstrar sua euforia nervosa ao se aproximar do corpo de Mariana. Chegou perto e apoiou um dos pés nas costas perfuradas e ensanguentadas. Porém de repente um ar maníaco atingiu seu rosto e ele começou a pisar na parte de trás da cabeça da toreadora violentamente. Nenhum som era emitido pela boca do nosferatu enquanto ele esmigalhava o crânio de sua presa de forma brutal. O sangue espirrava. Seu coturno e sua calça de couro preta foram ficando ensopados e quando não restava nada mais do que um purê vermelho e um corpo sem a cabeça, ele parou.

Levantou o olhar lentamente em direção ao furgão. Seu rosto pálido, seu sorriso horripilante e os respingos de sangue no seu queixo formavam uma visão inesquecível.

- O Alberto não estava brincando. Você é realmente um desgraçado louco e feio pra cacete cara...
- Fala pra ele... que eu estarei lá... amanhã às dez. Disse Nigel voltando a si de forma gradativa.
- Pode deixar. Agora some logo com isso pra gente poder ir embora cara... Falou o motorista com cara de nojo, enquanto a porta do furgão se fechava.

Nigel abriu um bueiro próximo e jogou o corpo lá dentro. Entrou ele também na abertura para os esgotos e enquanto colocava a tampa por cima de sua cabeça viu o furgão disparar cantando pneus e pensou “Nada como lavar sua honra e reputação com sangue toreador...”

Bom pessoal. Uma historinha de minha autoria pra explicar rpgisticamente essa carta. Críticas são sempre bem vindas! Mas não liguem para os erros de ambientação e regra do jogo. Não sou um expert. Acho que ficou legal. Descartando e... seguiu! 

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