terça-feira, 13 de abril de 2010

RELÍQUIA...

Fala galera! Eu sei que estou sumido, mas espero que vocês não tenham desistido de dar aquela espiadinha aqui de vez em quando pra saber se tem atualização. Fazendo uma arrumação no meu quarto esse fim de semana, encontrei um livro muito interessante que a maioria de vocês nem sabe que existe. O nome dele é The Eternal Struggle: A Players Guide to the Jyhad. É basicamente um manual explicando como o Jyhad foi criado e como deve se jogar. Como eu consegui? Bom... no fim do arco-íris, em uma distante cidade chamada Piratininga, vive um velho ancião narigudo chamado Kazan. Foi com ele que aprendi a jogar e foi dele que eu peguei esse livro emprestado e nunca mais devolvi.

Alias, perguntando para o mesmo onde ele conseguira, fiquei sabendo que ele mesmo não sabe haha. Disse que provavelmente veio junto com algum lote de cartas comprado de algum ser das trevas em meados desta década. O livro é bem antigo e não abrange tudo que o Vtes é hoje em dia, porém tem muita coisa interessante, principalmente quando se fala das origens do jogo e da ambientação que deixa o jogo muito mais interessante e apaixonante.

O livro tem 206 páginas e pelo que diz na contra-capa, custava 7.95 dólares. Uma coisa curiosa é que possui os símbolos das duas empresas que dividem o crédito pelo jogo: White Wolf e Wizards of the Coast. Ah! Também tem um simbolozinho da Garfield Games. Richard Garfield que divide a autoria do livro com meia dúzia de nerds americanos. O livro é todo em inglês.

Como eu disse, tem muita coisa interessante e eu pretendo botar algumas coisas legais aqui pra vocês. Hoje, como aperitivo, vou botar um trechinho traduzido que conta como o jogo foi idealizado. Segue:

Capítulo 1 – Introdução e Notas do Criador – Págs 7, 8 e 9


“ O segundo jogo estilo Deckmaster tinha de ser bem diferente para demonstrar que jogos de cartas colecionáveis não era uma bobagem, mas sim um novo veículo de jogo, um novo gênero. E também tinha de ser bom, um jogo pra história que estabelecesse uma linha a parte, mais do que citações referentes a Magic: The Gathering. Eu odeio sequências fracas.

Relembrando, era ambicioso montar um jogo tendo como tema o Mundo das Trevas, sendo que não bastava ser novo, mas também precisava satisfazer um já existente grupo de fãs sem trair a atmosfera que arrastava jogadores para o Vampire, em um primeiro momento. Não importava no que o jogo iria se tornar, mas alguma coisa inevitavelmente ficaria de fora.

Tentar capturar um mundo roleplaying dentro de um card game, particularmente um roleplaying cheio de profundidade e significado, é como tentar criar um único prato que simbolize toda a culinária da Europa. Quanto mais você adiciona, mais cada parte se enfraquece individualmente, e você perde a possibilidade de capturar o todo.

A escolha de centrar o jogo na Jyhad, a antiga guerra velada que é o fundamento de tanta coisa em Vampire, não foi difícil. Os jogadores teriam a oportunidade de ter uma visão estratégica do Mundo das Trevas, assim como o faziam durante um RPG. E também elementos de intriga e política eram muito bem adaptáveis a uma mesa, assim como elementos de romance.

Uma versão anterior do jogo tinha uma estrutura sugerida inicialmente por Mark Rein Hagen. Muitas idéias foram surgindo e uma em particular chamou minha atenção. Dois jogadores vampiros estariam na disputa inicialmente incontrolados. O objetivo do jogo seria criar uma corrente de vampiros controlados por um jogador até o lado de seu oponente.


O jogo era bem diferente de Magic mas não refletia nem um pouco o espírito do Mundo das Trevas. Andrew Greenberg comentou que as disciplinas vampíricas eram muito importantes para serem relegadas a uma carta ou outra. Lisa Stevens me disse que armas modernas eram agentes igualitários que permitiam jovens e proeminentes vampiros duelar com Cainitas experientes, que em outras épocas fariam picadinho dos mais novos, facilmente. Um membro da Seattle Camarilla observou que um jogo multiplayer era imprescindível, já que a política só existiria realmente com mais de duas pessoas.

Então, foi nesse caminho que eu aprendi o que era mais valioso para a maioria dos jogadores de Mundo das Trevas, e comecei a incorporar esses elementos na estrutura do jogo. Outra importante tarefa que eu percebi que deveria ser feita era criar uma rede de pesquisa perguntando que tipo de cartas, entusiastas de Vampire gostariam de ver num jogo como este. Era uma pergunta bem curiosa, já que não era dada nenhuma dica de como seria a mecânica do cardgame. Alias, a mecânica ainda estava em fase de aprimoramento na época, mas eu encontrei muita gente que sabia o que queria ver em um jogo sobre Vampire.

Esta pesquisa asseguraria que o jogo passaria no teste dos fãs, ou seja, que quando o jogo estivesse pronto, ele incorporaria a atmosfera esperada pelos entusiastas. Eu recebi várias e várias listas que incluíam sugestões como:

- Inquisição
- Caçadores
- Amaranth
- Fragmento do Livro de Nod
- Phosphorous Rounds
- Lápis atirados de revólveres
- Lobisomens
(...)

A próxima edição de Jyhad foi menos ambiciosa que a primeira, parecendo muito mais com Magic. Não importava se existissem semelhanças, contanto que a natureza do jogo fosse diferente. Me voltar para um jogo mais no estilo de Magic, me ajudou a me manter distante de tentar reinventar a roda e também deu asas para uma versão muito mais natural de um cardgame multiplayer.”


Muito maneiro, né? Fascinante conhecer mais aspectos do processo de construção de um cardgame mundialmente conhecido. Percebemos também a preocupação que o Richard tinha em se manter fiel ao Mundo das Trevas. Sábia escolha. Diferentemente de Magic, cuja a história foi criada juntamente com o Cardgame, Jyhad já tinha todo um mundo pronto, que deveria ser incorporado fielmente ao jogo de cartas.

Bom, vou dar uma lida no livro e catar mais curiosidades. Valeu galera! Até mais! Descartando e... seguiu!

2 comentários:

  1. João,
    Também tenho está relíquia. Por sinal tenho que ver para quem emprestei o meu.
    Apesar de estar estratégicamente bem defasado, ele realmente vale pela ambientação.
    Desta que para o capitulo de como ensinar jogadores de Magic a jogar Jyhad.

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  2. Pôxa, ainda bem que temos novos posts... estava ficando preocupado!

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